quinta-feira, 5 de março de 2015

Sobre a situação atual e a vigência politicamente correta do falso humilde

"Em A elegância do ouriço, Muriel Barbery usa uma das narradoras, uma menina muito inteligente de 13 anos, para descrever o desconforto com essa atitude [de ricos que enaltecem a pobreza, no caso sua mãe]. Elas moram em um endereço de luxo em Paris, repletas de conforto. Não obstante, sua mãe vive a pregar o socialismo, entre uma conversa e outra com suas plantas. E claro, mesmo depois de dez anos de terapia, ela ainda precisa tomar remédio para dormir…
O autor coloca na outra narradora da história, uma concierge humilde, porém extremamente culta, as palavras de desprezo em relação ao grupo de riquinhos mimados que tentam aparentar um estilo artificial de pobreza cool:
Se tem uma coisa que abomino, é essa perversão dos ricos que se vestem como pobres, com uns trapos que ficam caindo, uns bonés de lã cinza, sapatos de mendigo e camisas floridas debaixo de suéteres surrados. É não só feio mas insultante; nada é mais desprezível que o desprezo dos ricos pelo desejo dos pobres.
No entanto, basta frequentar uma faculdade privada para ver a quantidade de jovens que aderem a esse estilo “riponga”, com suas camisetas do Che Guevara, apenas para entrar depois em seus carros importados do ano. São os “revolucionários de Facebook”, que escrevem em seus perfis da rede social americana o quanto odeiam o sistema capitalista americano e o lucro que tornou o instrumento viável."

Livro: Esquerda Caviar - Rodrigo Constantino

Obs: Universidades públicas servem de exemplo as well.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Achei

Aquela que procurei por tanto tempo e encontrei, mas não falo de ninguém em carne e osso. Apenas um personagem que não habitava minha sensitividade há algum tempo. A paz.

Ser útil a um amigo. Fumar um cigarro, beber e rir. Tomar um café e comer pão com manteiga. Realizar seus objetivos. Conversar com seu pai. Ouvir boa música, mas não todos os dias.

Poucas coisas me trariam a paz há algumas semanas, se me perguntassem. Se não me perguntassem, eu me sentiria melhor de qualquer forma a esta altura do campeonato.

Mas há sempre alguém que pergunta. Há sempre alguém tentando me conquistar, provar meu valor e mostrá-lo pra mim mesmo. E nunca foram aquelas pessoas nas quais tirei minha própria paz. Elas nunca se interessaram por isto.

A única pessoa que se importava está longe. (Eu acho que) Está sozinha. Gostaria que fosse diferente. Mas simplesmente não foi. Não me faria bem mentir pra ela e fingir que tudo estava bem. Um anjo como aquele tem um futuro brilhante pela frente, com um homem realmente capaz e que valorizasse isto da forma que eu falhei em valorizar. Por mais que ela se recusasse a acreditar, eu não conseguiria ferir mais e mais aquele coração tão puro e bondoso. E assim, ferir o meu também. Nossa estrada foi longa, não tenho certeza se poderá ser de novo algum outro dia. Eu adoraria, mas as coisas não funcionam desta maneira simples. Posso me culpar a vida inteira por ter deixado este anjo ir embora, mas nunca mais iria me curar. Eu nunca fui o suficiente, ela merecia coisa melhor, e eu constantemente vibro para que ela tenha conseguido.

Sinto-me realmente em paz. Não me arrependo de nada. Os erros que cometi em 2014 abriram meus olhos. Se eu estivesse com uma das duas pessoas que quis estar junto naquele ano, hoje me encontraria totalmente arrependido. Basicamente, não daria certo de jeito nenhum. Máscaras caem rapidamente. Vi quem são, como se comportam, o que dizem, como agem...

Com, e sem o véu da ilusão. E tudo sem o véu da ilusão fica mais claro. São apenas pessoas normais na qual hoje não vejo uma ponta de interesse. Não me preocupo mais. É. Talvez eu me arrependa de ter dado tanta importância, de ter falado coisas bonitas. De escrever tudo aquilo. Mas estas palavras continuarão ali, publicadas. Para que eu nunca olhe para trás e me esqueça do que passei, e que posso fazer diferente desta vez. E se não desta vez, na próxima. A cada lamento, um aprendizado. É só por isto que este blog existe: me fazer enxergar o que não se deve repetir. Fica difícil acreditar quando se cai na mesma bobagem duas vezes ao ano, pela enésima vez na vida. Mas não me vejo em tal encruzilhada de novo, e para ser sincero, cansei disso. Posso escrever o que sinto quando quiser. Nunca me fez nenhum mal. Talvez eu precisasse escrever um livro. Sei de algumas boas pessoas que o leriam de boa fé.

Talvez sobre a ironia de odiar romances e ser romântico à minha maneira, ou sobre como os olhos daquela futura moça qualquer que não se importa comigo são lindos. Ou como o sorriso dela me deixa da mesma forma que já escrevi tantas vezes aqui. E, com certeza, que não irei cair na mesma bobagem de novo. Tudo bem, eu já lidei com o fato de não cumprir minhas próprias promessas! Talvez eu só saiba escrever sobre isto. Pois qualquer coisa que queira escrever vira bobagens do tipo.

Aprecio meus textos. Talvez uma das únicas coisas que eu aprecie em mim mesmo quando estou nestas fases de fracassado sem causa. Mas não consigo deixar de apreciá-los também nos momentos de alegria. Fico me perguntando quem lê isto. Se alguém se identifica. Eu sempre esperei pelo comentário: "Eu te entendo". E apesar dele existir abstratamente em alguém, nunca foi concretizado. É o tipo de coisa que não precisa se realizar. Sei que dentro de cada um que já fez piada com meus textos residem sentimentos equivalentes ou mais profundos. Me sinto corajoso por não guardar tais coisas, como eles precisam fazer. Me sinto melhor por me realizar ao escrever isto, do que ao confessar a alguém e esperar que digam que se importam. Sabe o porquê? Porque a única pessoa que pode me ajudar é a mesma que escreve tudo isto. Nunca será o amigo que ouve. Ele não está na sua pele, ele não sabe o que você quer. Ele pode te ajudar, te consolar, abrir seus olhos, mas nada disso é realmente eficaz sem uma auto-reflexão. E as minhas melhores críticas estão por escrito, endereçadas a mim mesmo. São elas que me fazem olhar meu interior sob uma perspectiva exterior. Elas possibilitam que eu me ajude e encontre forças para superar qualquer obstáculo que exista. Por mais fútil que seja (e olha que é difícil escolher qual é o assunto mais fútil deste blog).

Eu só preciso das pequenas coisas. Eu nunca precisei de uma mulher, de uma paixão. Era, e é, apenas um objetivo pessoal. Algo para não me sentir sozinho.

Eu nunca estive ao meu lado. Sempre apreciei a solidão, até provar o doce sabor da companhia e do verdadeiro amor. Voltei para a solidão saudável, e agora vislumbro o melhor. Estou correndo ao meu próprio lado, sentindo-me capaz. Não me sentindo inferior a qualquer idiota que possa parecer alguma coisa relevante na vida de alguém que desejei infantilmente. Nunca passou de puro desejo infantil. Eu apenas o confundi com a frustração pessoal.

Hoje, ouvir um novo álbum de The Lowest Pair me faz melhor que olhar para fotos. Do que conversar sobre isso ou receber notícias. Tomar um café amargo ao som da voz de Kendl Winter e do banjo de Palmer T. Lee me faz mais confiante do que um simples jogo de conquista fútil e egoísta. O amor aconteceu na minha vida tão subitamente quanto foi embora. Mas ele irá voltar, eu não preciso ir atrás disso agora. Me sinto bem sem ele, pela primeira vez em muito tempo. E eu não trocaria esta sensação por nenhuma outra ilusão que sequer um dia alimentei.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Perguntas retóricas

Qual é a sua?
Por que se condiciona à isto?
És masoquista?
Gosta de idealizações?
Tem alucinações com o impossível?
Por que você não gosta de si mesmo?
Por que se acha insuficiente para fazer qualquer coisa?
Por que trata seus erros de uma maneira tão séria?
Por que se cobra tanto?
Por que não vê a vida pelo lado bom?
Por que é incapaz disso?
Será que é por pura frustração?
Ou por esperança de encontrar alguém que julgue ser perfeita na sua cabeça animal e falha?
Será que é por nunca estar satisfeito?
Por invejar o que o próximo mostra que tem nas redes sociais?
Por que se expõe tanto na internet?
Por que não deleta seu blog?
Pra que ele serve?
Para as pessoas lerem e terem pena do cara totalmente normal e que dramatiza qualquer rotina?
Que sempre passa pelo mesmo e não aprende nunca que a vida se condiciona desta forma?
Que não sabe que na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri?
Que não sofre por nada e precisa arrumar algo pra ser vítima?
Por que ainda pensas nas mesmas coisas batidas?
Por que não aceitas a realidade?
Por que não a vê com o realismo que sempre pregou?
Por que nada de bom consegue ser relacionado a você mesmo, nesta sua falha mentalidade adolescente?
Você acha que sofre?
Você acha que sua vida é tão triste quanto prega?
Você acha que conhece a fome?
O frio?
A dor de um amor verdadeiro?
Você acha que tudo aquilo pelo que passou vale sequer uma lágrima tua já derramada por pessoas que nunca o viram da mesma forma?
Você acha que elas sequer ligam pra isto?
Você acha que elas não estão sorrindo e buscando a felicidade, enquanto você se lamenta e continua as observando nas redes sociais?
Você sabe se a vida delas é tudo isto?
Você sabe se no futuro realizará este seu desejo primata com quem sempre quis?
Você se importa se não conseguir?
O que mudará na sua vida?
Nunca mais se apaixonará por nenhuma outra mulher?
Ou é tão burro a ponto de não querer se envolver de novo?
O que dá na sua cabeça de se apaixonar em apenas uma noite?
Tem certeza que foi paixão?
Tem certeza que era tudo isto?
Tem certeza que daria certo, se houvesse ocorrido tudo conforme você quisesse?
Tanto nesta vez quanto nas anteriores?
Por que pensa que você não serve pra nada?
Por que você não se ama, cara?
Por que você não percebe que nunca valeu a pena ficar triste por ela?
Por que você insiste em bater a cara no muro e se lamentar do passado?
Qual é a dificuldade de olhar para o futuro com outros olhos?
De se empenhar e deixar todas aquelas que te rejeitaram friamente pra trás?
Por que você se nega a acreditar que o que há entre vocês nunca foi amizade e nunca será?
E que o que foi vendido como amizade e carinho não passa de pura dó?
Será que não passa mesmo?
Será que nunca houve uma ponta de paixão?
Será que isso nunca irá voltar no coração dela?
Se voltar, você aceitaria?
Se não voltar, você vai continuar se martirizando?
Quando você vai virar um homem e descobrir que ela nunca foi o ideal pra você, e você só se apaixonou por um rostinho bonito e alternativo?
Quando você vai parar de procurar a mulher perfeita?
Quando você vai perceber que isto nunca existiu e que relações humanas se baseam apenas em interesses?
Você não percebeu que ela só voltou a falar com você para te pedir um favor inconveniente?
Que nunca foi porque ela se importava?
Você nunca percebeu o quão idiota foi aquela noite?
Que ia deixar ela ir embora sozinha só porque fumou maconha a noite inteira e se esqueceu completamente?
Que não passou a mínima confiança para ela e que cobra dela algo que VOCÊ MESMO não fez direito?
Que continua esperando que ela mude de ideia?
Que sabe que ela está apaixonada por outro?
Que este outro é bem mais bonito, cabeludo, e alternativo que você?
Que este outro tem mais papo e parece mais legal nas redes sociais?
Que este outro sempre teve a chance de ouro e nunca aproveitou?
Que este outro pode ser qualquer um que ela decida ser?
Que já foi você um dia, mas hoje não é mais?
Nunca percebeu o quão fácil é colocar suas perguntas em apenas um lugar?
Que elas se respondem automaticamente?
Que você tem total potencial para ser feliz, sem rancor algum, esquecendo completamente desta perda de tempo na sua vida?
Você realmente se importa se alguém ler?
Se ela ler?
Você imaginaria que ela iria ler algum dia?
Você realmente teve uma recaída por se surpreender?
Você realmente acha que ela ainda se interessa?
Quando você vai parar de gritar silenciosamente por uma causa perdida?
Por que você não se contenta com as paixões que já possui hoje em dia?
Não consegue ver que estas paixões te buscam tão intensamente quanto você buscou quem quis?
E que apesar disto, você continua buscando justamente a que não deu certo?
Você não acha que está sendo um pouco sonhador e idealista demais?
Que está procurando o impossível no seu mar de letras?
Que anseia alguma reviravolta?
Mesmo sabendo que ela não irá acontecer?
Que nada fez sentido, nada adiantou, e você precisa ler este texto mais de uma vez para tentar cair na real?
Não entendeu que este que vos escreve é você mesmo?
Que estou gritando pra você acordar enquanto você insiste em continuar dormindo?
Que eu quero o seu bem acima de tudo, que eu quero que você se queira bem?
Que eu quero que você pare com toda esta baboseira?
Que eu quero que você aproveite a sua vida à sua maneira?
Que eu não quero que você desperdice as chances que tem hoje em dia?
Que há várias oportunidades de fazer diferente?
Que há amor nestas pessoas que querem se relacionar com você?
O que você precisa para parar com isto?
Se deitar novamente com alguma delas?
Sentir aquela boa sensação de não ser rejeitado?
O que você precisa?
Quando você precisa?
Não percebe que é jovem?
Que há muito pela frente?
Que sua necessidade de amar e ser amado será suprida ao acaso?
Que não vai mais ser confundido devido às suas experiências anteriores?
Por que deseja tudo isto logo agora?
Não consegue esperar?


Quando, Luís Paulo, você vai perceber que reclama de barriga cheia?
Me diga quando, Traíra, você vai continuar sendo o cara sensível e que sempre se dá mal?
Até quando vai continuar se afirmando que precisa ser mais do que isso mas não sai do lugar?

Até quando vai continuar sendo refém da sua própria auto-insuficiência?

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A sage once said...

"How shall I open my heart, oh friend? It is forbidden for me to speak. I am about to die for lack of a kindred soul to understand my misery. Simply by looking in her eyes I find the beloved of my heart. But rare is such a soul who swims in ecstatic bliss on the high tide of heavenly love."

Aquele meu desleixado quarto

Se jogar à deriva, pensar e voar
Liberdade para sentir e apavorar-se
Tomar para si a diferença entre cada pulsação
Ser para si mesmo a impulsão do crescimento
Apertar cada mão com olhar sereno
Espalhando sua falsa confiança através do tato
Até que se realize a ausência da insegurança
Num infinito processo automatizado pela consciência

O sal nas narinas e o som a ecoar pela baía
Vozes alegres e embriagadas, entranhadas à vibração de seis cordas
Majestosamente iluminam a escuridão que a luz da lua recusara chegar
Pois o Sol já se encontrava ofegante após curar tanto mau-humor
E sem sua brilhante liderança, corações se enegrecem e minha gente entristece
Confusas diante das bifurcações com cem estradas,
Concentradas,
À procura do caminho mais curto para a alegre desilusão verdadeira

Sob um poste de luz, em algum quintal de terra
Dentro daquele meu desleixado quarto
Sentir-se realizado por um breve momento
Negar a repetição dos acontecimentos
Sem vigiar seus próprios pensamentos
Desejo que se transforma em rejeição
Incluindo-se fora de todas as expectativas futuras
Assustando e afastando o presente
De volta para o passado em que sempre viveu

Se volta para sua própria insuficiência
Esquece toda sua bondade
Transforma-a em egoísmo
Esbraveja com o fantasma do mundo
Mesmo que sua vida tenha o colocado nos dois papéis
O de amado
E o de simples amador

Mas
Se você seguir teu caminho e eu o meu
Continuaremos inúteis contra o tempo
Pois qualquer cão nas ruas sabe
Que todos já fomos apaixonados pelo impossível
Todo jogador, na verdade, sabe que está ali para perder
Ou uma amizade ou algumas boas memórias
Daquele dia frio
Da mais linda forma de timidez
Do sentimento mais verdadeiro
Da conquista que nasceu por um elogioso comentário
E morreu com descaso
Naquele quintal de terra
Naquele meu desleixado quarto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

I'll see you soon



So you lost your trust
And you never should have
You never should have

But don't break your back
If you ever see this
But don't answer that

In a bullet-proof vest
With the windows all closed
I'll be doing my best
I'll see you soon
In a telescope lens
And when all you want is friends
I'll see you soon

So they came for you
They came snapping at your heels
They come snapping at your heels

But don't break your back
If you ever say this
But don't answer that

In a bullet-proof vest
With the windows all closed
I'll be doing my best
I'll see you soon
In a telescope lens
And when all you want is friends
I'll see you soon
I'll see you soon

I know you lost your trust
I know you lost your trust
I know don't lose your trust
I know you lost your trust

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Only God Can Judge Me

Não tenho vontade de jogar mais nenhum dos 144 jogos que eu tenho na Steam. Me sinto compelido à escrever, mesmo sem saber o que. Quero evitar, e tento, ao máximo, expor minha vida emocional, mas é como um hábito que eu tenho há uns anos, e não consigo largar. Não sei sobre o que falar, ou o que falar. Talvez uma correção de mim pra eu mesmo e uma auto-análise (que eu espero que seja mas se não for não tem problema) breve. Eu perco a cabeça muitas vezes, por coisas tão inúteis quanto possa imaginar. Apesar de querer deixar a amargura me consumir, vejo que é um péssimo caminho, aquele que um bebê chorão recorre quando se vê acuado. Não me descem as coisas, eu abro o berreiro silencioso que se transforma em outro mar de letras. E o ciclo continua, até eu descobrir qual é a dessa psicose. Sempre fui meio paranóico, nunca tentei lutar contra. Talvez seja a hora. Vi que faço carnaval por coisas que coloco na minha cabeça e acredito. Está na hora de parar.

Me condiciono ao estado de carência, talvez por saudade dos meus amigos. Porra, como era bom ir jogar um futebol no campinho do Guaruçá às 2 da tarde com o sol rachando. A molecada sempre reunida, fazendo merda que moleques fazem, e rindo. Aqui me sinto mais adulto, minha molecagem não tem espaço. Ser meio largadão tem lá suas desvantagens, as pessoas se impressionam se me virem bem-vestido. Não tenho culpa de gostar de camisa larga, bermudão de praia e chinelo. É assim que eu cresci. Saudades da comida e carinho da minha mãe, das brejas e papos com o meu pai, das vezes que eu chegava tarde de ressaca em casa e eles cuidavam de mim.

Tenho uma nova família agora, a família Rep Our. Não são minha mãe e nem meu pai, mas acho que são os melhores amigos que alguém pode ter aqui nesta cidade. Me receberam, me educaram para a vida universitária, e se tornaram verdadeiros parceiros. Não me imagino morando em outro lugar, a não ser com eles. Além de fazer parte disso, conheci muitas outras pessoas interessantes na universidade. Novas pessoas, novas experiências, alerta constante para o caiçara torto perdido no interior que de cabeça quente consegue ser um cara completamente dramático. Às vezes o rage nos consome, mas não podemos consumir o rage. Tem que deixar rolar como a brisa do verão, tá ligado? Tem que deixar espairecer na esplanada da baixada. Ouvir um 2pac tranquilão, Only God Can Judge Me, beat n flow insanos. Esquecer desse monte de besteira, preocupações sem sentido. 2pac e suas letras me fizeram lembrar como existem pessoas com preocupações bem piores por aí, e eu sem vigiar meus pensamentos, ações e sentimentos, esquecendo de agradecer ao Grande Arquiteto pelo que sempre tive. Mais vigilância! All Eyez on Me! (So much trouble in the world, nigga
can't nobody feel your pain!?)

(O rap do mito Shakur é o verdadeiro, bro, não dá pra parar de ouvi-lo. Fica a sugesta1.)



PS: EU SEI QUE TEM MUITA CONTRADIÇÃO ENTRE MEUS POSTS, É POR ISSO QUE EU FALO QUE EU SOU FUCKING LOUCO. METAMORFOSE AMBULANTE, LIFECHANGER, THE CARRY ON DUDE. ONLY GOD CAN JUDGE ME. WEST SIDE.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Como é se sentir como já fez alguém sentir-se antes

Confesso que ainda lia o blog dela, e agora há pouco caí no riso por uma ironia doce.

Dizia a ganhadora da taça do tetracampeonato de foras que eu ganhei este ano, que é triste e solitária. E o que eu mais queria é que ela não se sentisse assim! Mas, como não sei lidar com isso, a afastei daquele jeito que só eu sei fazer. Um amigo meu disse-me esses dias que leu meu blog e concluiu que sou louco, pois mudo de opinião da noite pro dia. Mas o que é a vida se não mudarmos nossas opiniões?

Ainda tenho certa relutância quanto a o que quer que seja referente à mudança ideológica. Acho que a época da eleição me contagiou tanto, que deixei uma chance de ouro dessas passar por mim e escorregar entre meus dedos (por pura paixão juvenil de quem encontra sua ideologia e não sabe lidar com o mundo que não a segue). É engraçado saber que li tudo o que ela escreve, e que ela não leu sequer um parágrafo do que jamais escrevi nesta casa dos fracassados, e nem lerá. Estou tranquilo quanto a isto. Já passou, foi mais uma paixão equivocada ou até mesmo mais algum erro que cometi na minha vida, e aprendi com ele. Lamentos e sonhos impossíveis já deixaram minha cabeça logo no segundo dia de situação. A questão é a doce ironia...

Prometi pra mim mesmo não escrever sobre isso, mas como eu uso esta casa como se fosse um brother confiável que não fala nada pra ninguém, escreverei.

Se vocês estiverem se perguntando a lógica de escrever algo que julgo confidencial em um lugar de acesso público de domínio mundial, talvez seja pela minha crença de que ninguém se importa, e talvez porque realmente, ninguém se importa, a não ser pra me zoar por ter meus pensamentos por escrito.

Sobre a ironia? Ah sim.

Minha paranóica cabeça via correlações entre músicas que eu claramente postava endereçadas a ela implicitamente, com as músicas que ela postava por postar. Não creio que eu tenha permeado a cabeça dela por tanto tempo, apesar de que a do moreno do cabelo enroladinho se encaixa em mim (mas nem foi para mim). Vai vendo.

Eu me apaixonei e ela só me viu como um cara x, dentre tantos outros bem melhores que ela já conheceu e ficou.

Sempre ouvi que se sentia sozinha, que queria ir embora. Depois que me apaixonei foi meio que um desafio pessoal conquistá-la e fazê-la se sentir melhor. Parece que foi preciso para este que vos fala, bater a cara no muro para perceber que não sou Super-Homem de ninguém. E que mesmo se eu quisesse ser, precisaria melhorar, e muito, o meu interior. Mais um aprendizado bem massa.

Final de ano chegando, eu estou feliz como nunca, mas não consigo parar de me preocupar com a solidão que ela diz que sente e que eu não fui capaz de matar. Parece realmente que o que mais me frustra é ser incapaz de suprir algum porto seguro a quem eu quero bem quando estão se sentindo sós, e não por dor de corno. Talvez haja alguma influência que venha da minha família quanto a tal insegurança.

E sim, eu me acho um fracassado nessas horas, e é por isso que eu entro em tanta bad de baixa auto-estima. Depois, quando caio na real e raciocino direito, percebo que é tudo muito simples e que meus sentimentos sempre se sobrepõem a tudo.

Meu novo ano não tem metas, pois continuam as mesmas. Achar alguém, ter um emprego, estudar, me livrar dos meus pais e pagar minhas contas. É claro, junto a alguém que me deixe suprir sua solidão.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

E cadê os posts que você se abre emocionalmente?

Nem rola mais

Talvez o punk não esteja morto ainda, assim como os gritos pela liberdade


Bad Religion - The Empire Strikes First (2004)

Grito pela liberdade, movimento que uns acham vendido hoje em dia, mas que ainda me traz um conceito melhor de liberdade do que aqueles que pregam o controle estatal e o coletivismo.



Talvez eu mesmo tenha me negado a aceitar algum anarquismo por um tempo. Encontrar-me ideologicamente foi um dos marcos para isso. Libertarianismo, e até mesmo o utópico anarco-capitalismo são visões de real progresso na minha concepção. Talvez um dia venha um sistema melhor que o capitalismo em sua justa forma, mas um modelo onde se perpetuam trocas voluntárias pacíficas e realmente livres não pode ser considerado opressor. É a melhor forma de liberdade hoje em dia. Vejo amigos meus rumando por outros caminhos ideológicos e não os condeno. Cresci nessa doutrinação, talvez de maneira menos presente e mais criticamente, mas convivi no mesmo meio e vejo o anseio deles em ter uma sociedade livre, assim como eu. Não me importo de quererem o bem para todos, discordo apenas dos meios, mas não os condeno por pensarem diferente. Gostaria que o mesmo fosse visto de forma recíproca. 

The Empire Strikes First, crítica excelente ao anseio americano de se meter em todo o lugar para cobrir as falhas enormes que sua economia keynesianista formou. Com os cofres ameaçados pela crise do petróleo e a dívida interna aumentando, Bush enviou jovens para morrerem do outro lado do globo com desculpas políticas. Alguns realmente acreditam que isso é o capitalismo como forma de governo tendo que assassinar para se manter (da mesma forma que supostamente ele é o responsável por mortes de fome na África, que são os países mais fechados economicamente do mundo e controlados por ditaduras que não são socialistas porque deturparam Marx e hoje recebem o nome de seu ditador), e nisso eu não consigo ver algum sentido.

Apesar de toda essa defesa ideológica natural em épocas de eleições, não deixam de serem meus amigos, mesmo com os feeds bloqueados. Alguns ainda acham que por eu não acatar uma ideologia tão 'libertadora' e 'justa' que defende os pobres acima de tudo, e por não acreditar em sociedade igualitária estatal, sou um reaça coxinha fascista e racista que é à favor dos ricos e das mortes de fome pelo mundo. Não é bem por aí.

Mesmo assim, eles estão ao redor e julgando meu caráter. Eu não os julgo responsáveis pelos gulags e nem pelos fuzilamentos. Muito menos por apoiar um estado gigantesco e assistencialista que cria dependentes de si próprio. Não os julgo de má fé, e nem que queiram matar todos de fome. Enfim, não julgo seu caráter. Isso parece difícil quando se estabelece a antiga luta do suposto opressor malvadão contra o oprimido coitadinho. Há um consenso aqui: um mundo melhor.