sábado, 4 de abril de 2015

O Mundo é um Moinho

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

terça-feira, 31 de março de 2015

Não posso ficar

Quero sair, voltar pra casa. Por um mês que seja, estou com saudades dos meus pais. Quero ouvir meu blues, meu reggae, minha bossa. Em paz, na praia, moscar o dia inteiro na cama após comer o bacalhau divinamente bem preparado do seu Luiz. Depois sair com os brothers pra fazer uma jam session humilde, beber cerveja e cantar até o dia raiar.

Tudo isto, querendo estar aqui onde estou agora, com aquela doce moça que me procura sempre. A mesma que acha que eu a trato como opção, mas que não sabe que está no topo das prioridades. Acho que estou sendo eu mesmo ao retribuir pra ela o carinho que ela conquistou de mim. Aquele tipo de carinho que te tira de qualquer poço existencial e te faz ser vivo novamente, te faz querer acreditar que o amor pode valer a pena com pessoas que enxergam um pouco além de uma mera visão política egocêntrica.

Falo isto pois eu mesmo sou falho neste aspecto. Conversei com um grande amigo meu sobre, e ele tem razão. Eu sou irredutível, e isso faz qualquer um se afastar e me achar um babaca. O que me impressiona é não ter acontecido mais uma vez. Por que? Será que é uma grande conspiração de uma inteligência superior pra me mostrar o quanto eu sou prepotente? Ou apenas eu mesmo me descobrindo mais imperfeito ao longo do tempo? Qualquer um dos tapas na cara, seja o arquitetado inconscientemente por mim ou então o planejado conscientemente por alguma divindade, é um belo tapa na cara. Mais um grande despertar jogado à mercê das minhas escolhas egocêntricas.

Muitos me fizeram repensar. Um novo amigo que mora comigo agora e faz pós em filosofia me ajudou de uma maneira que talvez nem ele possa imaginar. Obrigado, cara.

Obrigado à pessoa que me procura de tempos em tempos apenas para saber como estou, de me desejar uma boa noite de sono e que eu me cuide. Não há como descrever o arrependimento de descrença nas pessoas, assim como não me é possível escrever tudo o que sinto realmente aqui. O confidencial também possui sua sessão confidencial.

Me espanta perder o contato e a empatia com tantas pessoas nesta cidade. Pessoas que me conheceram e não me olham na cara direito. Outras que eu conheci melhor e não faço questão nenhuma de sua presença. E não falo de desencantos e amores, apenas no campo da amizade. Umas forçam situações para me fazer acreditar que está tudo bem entre nós. Outras deixam o tempo resolver. Sendo como for, as outras ainda me nutrem mais interesse do que as umas, nem que me sirvam de observação comportamental. Na maioria dos casos, é só pra isso que passaram na minha vida, para me ensinar a viver em sociedade de uma melhor maneira, mais pragmaticamente do que este que vos fala havia concebido tão irrisoriamente.

Uma meta cumprida pra 2015? Não deixar paixões passadas completarem tanto tempo. Expurgá-las ao máximo, não revivê-las da maneira burra que eu fazia há um mês. Não mais procurar o que elas estão dizendo, como estão se sentindo. São irrelevantes pra mim tanto quanto eu sou pra elas. A balança não se desequilibra e todo mundo sai feliz à sua maneira. Não que eu não deseje sua felicidade: muito pelo contrário! Adoraria receber notícias de que fulano está em um bom emprego e siclana arrumou um namorado hipster e é feliz. Não os odeio, apenas parei de gastar meu carinho no vazio. De pregar na areia, esmurrar ponta de faca, querer mudar o outro.

Quem me quer bem demonstra à sua maneira, e palavras já não me seduzem.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Ah... se o mundo inteiro me pudesse ouvir... Tenho tanto pra contar, dizer que aprendi

Eu sou assim. Me apego à primeira pessoa que posso por simples medo de ir atrás do amor. Na atual encruzilhada entre "para de se iludir" e "vai que você vira o jogo". Mais pra primeira do que para a segunda. Sei lá. O meu eu lírico insiste na primeira opção, mas meu eu 'verdadeiro' parece buscar alguém em específico. Alguém que não existe fisicamente na minha concepção.

Voltei, depois de muito tempo sem, a sonhar com desenganos (como diria Paulinho da Viola) passados. Inconscientemente, lógico. Apenas acordo perplexo com aquele sonho em que ela está presente e não desiste de me encarar como quem diz: eu quero um cara a cara.

Só que isso não passa disto. Um sonho. Uma coisa que você já superou e continua a te assombrar. Coisas daquelas que te fazem pensar o que seria de você se fossem diferentes as maneiras de agir. Coisas daquelas que te fazem repensar o passado. Eu só quero paz, não quero mais me culpar pelos erros. Quero, e vou, seguir feliz. O grande problema é que parece que não consigo lidar com minha tranquilidade. Não consigo aceitar que uma balada pra mim significa nada sem meus amigos. Não consigo aceitar que eu sou chato pra caralho, e que se não fosse, talvez não estaria conjecturando nada à esta altura do campeonato. Quase um fucking ano, pouco progresso.

Eu realmente tenho essa necessidade narcisista. Tenho que encaixar tudo o que dizem em algum motivo relacionado à mim. E à partir disto, monto meu castelo fictício onde tudo é feliz e mágico.

Que ruiu logo após que acordei.

É difícil se sentir mal por uma coisa passageira, corriqueira e monótona. Por atribuir coisas à si mesmo, que muito provavelmente não sejam necessariamente por este propósito. Do tipo entender que 'moreno' é uma cor de pele, nunca uma cor de cabelo. E que o 'porquê de você fazer assim comigo', muito provavelmente está relacionado com qualquer outro fato empírico. Não a mim.

O declarado umbigo do mundo descobre sua desgraça. E não liga a mínima. Continuará sendo forte à sua maneira. Amando e sofrendo, se apaixonando sempre. Não se rendendo às futilidades mundanas. É realmente uma pena que não tenha tido mais nenhuma chance. É realmente outra pena se doer por isto. E é virtualmente apocalíptico se contradizer e sonhar com o insonhável. Mas é só a minha área do córtex relacionada aos sentimentos: ao menos possuo a desculpa de não controlá-lo.

Fico servindo de observação à mim mesmo. Será que queria psicologia e acabei em exatas? Será que aquela nova moça está disposta a ouvir lamentos sobre outra moça? Acredito que não.

É por isto que seguirei nas exatas e em silêncio. Apenas respondendo às indiretas com outras indiretas. Se estiver errado e não forem direcionadas à minha pessoa, servem como excelentes músicas. Se estiver certo, além de surpreso, estaria feliz em passar a mensagem de que eu sempre estou aqui. Tentando superar algo ou não, só depende da pessoa que eu preciso superar.

sábado, 7 de março de 2015

Synth Magic

College e Eletric Youth. A combinação perfeita que traz à tona o synthpop dos anos 80 de uma maneira profunda.

College por si só consegue transmitir o que uma música precisa sem ao menos uma frase, em uma mesma escala de notas repetitivas permeadas por efeitos brilhantes do new wave. Nunca havia tido interesse neste tipo de música. Não me espanta que não seja popular, pois para apreciar esta arte deve-se ter o coração aberto e a imaginação livre. Talvez seja por isto que só agora fui além de Real Hero e mergulhei de cabeça no que este francês tinha a oferecer.

Eletric Youth? Dois canadenses, estes sim transmitindo através de suas letras e ritmos a poesia que encaixa perfeitamente na base de um simples sintetizador. Boa música em forma de bits e voz.

Artistas estes que foram motivados pela nostalgia de suas infâncias, fazendo aquele estilo de música que sempre escutaram em seus rádios nos anos 80 e transmitindo as mesmas sensações que tinham para a geração mais nova. Como? Não me pergunte. Eles só conseguiram! E muito bem.

Fica a recomendação, e a grande chance de que eles possam iluminar a escuridão pela qual você passa agora e que felizmente eu não estou passando.

E para ser sincero, se você não se encontra na escuridão e se identificou com isto, vá em frente e mergulhe de cabeça assim como eu. Muito provavelmente este som preencherá alguma lacuna ou te fará renovar as forças para a nova onda. O tão consagrado New Wave.

College - Une Ville Silencieuse

Eletric Youth - Innocence

College & Eletric Youth - Real Hero




David Grellier, Austin Garrick, Bronwyn Griffin:
Obrigado!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sobre a situação atual e a vigência politicamente correta do falso humilde

"Em A elegância do ouriço, Muriel Barbery usa uma das narradoras, uma menina muito inteligente de 13 anos, para descrever o desconforto com essa atitude [de ricos que enaltecem a pobreza, no caso sua mãe]. Elas moram em um endereço de luxo em Paris, repletas de conforto. Não obstante, sua mãe vive a pregar o socialismo, entre uma conversa e outra com suas plantas. E claro, mesmo depois de dez anos de terapia, ela ainda precisa tomar remédio para dormir…
O autor coloca na outra narradora da história, uma concierge humilde, porém extremamente culta, as palavras de desprezo em relação ao grupo de riquinhos mimados que tentam aparentar um estilo artificial de pobreza cool:
Se tem uma coisa que abomino, é essa perversão dos ricos que se vestem como pobres, com uns trapos que ficam caindo, uns bonés de lã cinza, sapatos de mendigo e camisas floridas debaixo de suéteres surrados. É não só feio mas insultante; nada é mais desprezível que o desprezo dos ricos pelo desejo dos pobres.
No entanto, basta frequentar uma faculdade privada para ver a quantidade de jovens que aderem a esse estilo “riponga”, com suas camisetas do Che Guevara, apenas para entrar depois em seus carros importados do ano. São os “revolucionários de Facebook”, que escrevem em seus perfis da rede social americana o quanto odeiam o sistema capitalista americano e o lucro que tornou o instrumento viável."

Livro: Esquerda Caviar - Rodrigo Constantino

Obs: Universidades públicas servem de exemplo as well.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Achei

Aquela que procurei por tanto tempo e encontrei, mas não falo de ninguém em carne e osso. Apenas um personagem que não habitava minha sensitividade há algum tempo. A paz.

Ser útil a um amigo. Fumar um cigarro, beber e rir. Tomar um café e comer pão com manteiga. Realizar seus objetivos. Conversar com seu pai. Ouvir boa música, mas não todos os dias.

Poucas coisas me trariam a paz há algumas semanas, se me perguntassem. Se não me perguntassem, eu me sentiria melhor de qualquer forma a esta altura do campeonato.

Mas há sempre alguém que pergunta. Há sempre alguém tentando me conquistar, provar meu valor e mostrá-lo pra mim mesmo. E nunca foram aquelas pessoas nas quais tirei minha própria paz. Elas nunca se interessaram por isto.

A única pessoa que se importava está longe. (Eu acho que) Está sozinha. Gostaria que fosse diferente. Mas simplesmente não foi. Não me faria bem mentir pra ela e fingir que tudo estava bem. Um anjo como aquele tem um futuro brilhante pela frente, com um homem realmente capaz e que valorizasse isto da forma que eu falhei em valorizar. Por mais que ela se recusasse a acreditar, eu não conseguiria ferir mais e mais aquele coração tão puro e bondoso. E assim, ferir o meu também. Nossa estrada foi longa, não tenho certeza se poderá ser de novo algum outro dia. Eu adoraria, mas as coisas não funcionam desta maneira simples. Posso me culpar a vida inteira por ter deixado este anjo ir embora, mas nunca mais iria me curar. Eu nunca fui o suficiente, ela merecia coisa melhor, e eu constantemente vibro para que ela tenha conseguido.

Sinto-me realmente em paz. Não me arrependo de nada. Os erros que cometi em 2014 abriram meus olhos. Se eu estivesse com uma das duas pessoas que quis estar junto naquele ano, hoje me encontraria totalmente arrependido. Basicamente, não daria certo de jeito nenhum. Máscaras caem rapidamente. Vi quem são, como se comportam, o que dizem, como agem...

Com, e sem o véu da ilusão. E tudo sem o véu da ilusão fica mais claro. São apenas pessoas normais na qual hoje não vejo uma ponta de interesse. Não me preocupo mais. É. Talvez eu me arrependa de ter dado tanta importância, de ter falado coisas bonitas. De escrever tudo aquilo. Mas estas palavras continuarão ali, publicadas. Para que eu nunca olhe para trás e me esqueça do que passei, e que posso fazer diferente desta vez. E se não desta vez, na próxima. A cada lamento, um aprendizado. É só por isto que este blog existe: me fazer enxergar o que não se deve repetir. Fica difícil acreditar quando se cai na mesma bobagem duas vezes ao ano, pela enésima vez na vida. Mas não me vejo em tal encruzilhada de novo, e para ser sincero, cansei disso. Posso escrever o que sinto quando quiser. Nunca me fez nenhum mal. Talvez eu precisasse escrever um livro. Sei de algumas boas pessoas que o leriam de boa fé.

Talvez sobre a ironia de odiar romances e ser romântico à minha maneira, ou sobre como os olhos daquela futura moça qualquer que não se importa comigo são lindos. Ou como o sorriso dela me deixa da mesma forma que já escrevi tantas vezes aqui. E, com certeza, que não irei cair na mesma bobagem de novo. Tudo bem, eu já lidei com o fato de não cumprir minhas próprias promessas! Talvez eu só saiba escrever sobre isto. Pois qualquer coisa que queira escrever vira bobagens do tipo.

Aprecio meus textos. Talvez uma das únicas coisas que eu aprecie em mim mesmo quando estou nestas fases de fracassado sem causa. Mas não consigo deixar de apreciá-los também nos momentos de alegria. Fico me perguntando quem lê isto. Se alguém se identifica. Eu sempre esperei pelo comentário: "Eu te entendo". E apesar dele existir abstratamente em alguém, nunca foi concretizado. É o tipo de coisa que não precisa se realizar. Sei que dentro de cada um que já fez piada com meus textos residem sentimentos equivalentes ou mais profundos. Me sinto corajoso por não guardar tais coisas, como eles precisam fazer. Me sinto melhor por me realizar ao escrever isto, do que ao confessar a alguém e esperar que digam que se importam. Sabe o porquê? Porque a única pessoa que pode me ajudar é a mesma que escreve tudo isto. Nunca será o amigo que ouve. Ele não está na sua pele, ele não sabe o que você quer. Ele pode te ajudar, te consolar, abrir seus olhos, mas nada disso é realmente eficaz sem uma auto-reflexão. E as minhas melhores críticas estão por escrito, endereçadas a mim mesmo. São elas que me fazem olhar meu interior sob uma perspectiva exterior. Elas possibilitam que eu me ajude e encontre forças para superar qualquer obstáculo que exista. Por mais fútil que seja (e olha que é difícil escolher qual é o assunto mais fútil deste blog).

Eu só preciso das pequenas coisas. Eu nunca precisei de uma mulher, de uma paixão. Era, e é, apenas um objetivo pessoal. Algo para não me sentir sozinho.

Eu nunca estive ao meu lado. Sempre apreciei a solidão, até provar o doce sabor da companhia e do verdadeiro amor. Voltei para a solidão saudável, e agora vislumbro o melhor. Estou correndo ao meu próprio lado, sentindo-me capaz. Não me sentindo inferior a qualquer idiota que possa parecer alguma coisa relevante na vida de alguém que desejei infantilmente. Nunca passou de puro desejo infantil. Eu apenas o confundi com a frustração pessoal.

Hoje, ouvir um novo álbum de The Lowest Pair me faz melhor que olhar para fotos. Do que conversar sobre isso ou receber notícias. Tomar um café amargo ao som da voz de Kendl Winter e do banjo de Palmer T. Lee me faz mais confiante do que um simples jogo de conquista fútil e egoísta. O amor aconteceu na minha vida tão subitamente quanto foi embora. Mas ele irá voltar, eu não preciso ir atrás disso agora. Me sinto bem sem ele, pela primeira vez em muito tempo. E eu não trocaria esta sensação por nenhuma outra ilusão que sequer um dia alimentei.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Perguntas retóricas

Qual é a sua?
Por que se condiciona à isto?
És masoquista?
Gosta de idealizações?
Tem alucinações com o impossível?
Por que você não gosta de si mesmo?
Por que se acha insuficiente para fazer qualquer coisa?
Por que trata seus erros de uma maneira tão séria?
Por que se cobra tanto?
Por que não vê a vida pelo lado bom?
Por que é incapaz disso?
Será que é por pura frustração?
Ou por esperança de encontrar alguém que julgue ser perfeita na sua cabeça animal e falha?
Será que é por nunca estar satisfeito?
Por invejar o que o próximo mostra que tem nas redes sociais?
Por que se expõe tanto na internet?
Por que não deleta seu blog?
Pra que ele serve?
Para as pessoas lerem e terem pena do cara totalmente normal e que dramatiza qualquer rotina?
Que sempre passa pelo mesmo e não aprende nunca que a vida se condiciona desta forma?
Que não sabe que na vida a gente tem que entender que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri?
Que não sofre por nada e precisa arrumar algo pra ser vítima?
Por que ainda pensas nas mesmas coisas batidas?
Por que não aceitas a realidade?
Por que não a vê com o realismo que sempre pregou?
Por que nada de bom consegue ser relacionado a você mesmo, nesta sua falha mentalidade adolescente?
Você acha que sofre?
Você acha que sua vida é tão triste quanto prega?
Você acha que conhece a fome?
O frio?
A dor de um amor verdadeiro?
Você acha que tudo aquilo pelo que passou vale sequer uma lágrima tua já derramada por pessoas que nunca o viram da mesma forma?
Você acha que elas sequer ligam pra isto?
Você acha que elas não estão sorrindo e buscando a felicidade, enquanto você se lamenta e continua as observando nas redes sociais?
Você sabe se a vida delas é tudo isto?
Você sabe se no futuro realizará este seu desejo primata com quem sempre quis?
Você se importa se não conseguir?
O que mudará na sua vida?
Nunca mais se apaixonará por nenhuma outra mulher?
Ou é tão burro a ponto de não querer se envolver de novo?
O que dá na sua cabeça de se apaixonar em apenas uma noite?
Tem certeza que foi paixão?
Tem certeza que era tudo isto?
Tem certeza que daria certo, se houvesse ocorrido tudo conforme você quisesse?
Tanto nesta vez quanto nas anteriores?
Por que pensa que você não serve pra nada?
Por que você não se ama, cara?
Por que você não percebe que nunca valeu a pena ficar triste por ela?
Por que você insiste em bater a cara no muro e se lamentar do passado?
Qual é a dificuldade de olhar para o futuro com outros olhos?
De se empenhar e deixar todas aquelas que te rejeitaram friamente pra trás?
Por que você se nega a acreditar que o que há entre vocês nunca foi amizade e nunca será?
E que o que foi vendido como amizade e carinho não passa de pura dó?
Será que não passa mesmo?
Será que nunca houve uma ponta de paixão?
Será que isso nunca irá voltar no coração dela?
Se voltar, você aceitaria?
Se não voltar, você vai continuar se martirizando?
Quando você vai virar um homem e descobrir que ela nunca foi o ideal pra você, e você só se apaixonou por um rostinho bonito e alternativo?
Quando você vai parar de procurar a mulher perfeita?
Quando você vai perceber que isto nunca existiu e que relações humanas se baseam apenas em interesses?
Você não percebeu que ela só voltou a falar com você para te pedir um favor inconveniente?
Que nunca foi porque ela se importava?
Você nunca percebeu o quão idiota foi aquela noite?
Que ia deixar ela ir embora sozinha só porque fumou maconha a noite inteira e se esqueceu completamente?
Que não passou a mínima confiança para ela e que cobra dela algo que VOCÊ MESMO não fez direito?
Que continua esperando que ela mude de ideia?
Que sabe que ela está apaixonada por outro?
Que este outro é bem mais bonito, cabeludo, e alternativo que você?
Que este outro tem mais papo e parece mais legal nas redes sociais?
Que este outro sempre teve a chance de ouro e nunca aproveitou?
Que este outro pode ser qualquer um que ela decida ser?
Que já foi você um dia, mas hoje não é mais?
Nunca percebeu o quão fácil é colocar suas perguntas em apenas um lugar?
Que elas se respondem automaticamente?
Que você tem total potencial para ser feliz, sem rancor algum, esquecendo completamente desta perda de tempo na sua vida?
Você realmente se importa se alguém ler?
Se ela ler?
Você imaginaria que ela iria ler algum dia?
Você realmente teve uma recaída por se surpreender?
Você realmente acha que ela ainda se interessa?
Quando você vai parar de gritar silenciosamente por uma causa perdida?
Por que você não se contenta com as paixões que já possui hoje em dia?
Não consegue ver que estas paixões te buscam tão intensamente quanto você buscou quem quis?
E que apesar disto, você continua buscando justamente a que não deu certo?
Você não acha que está sendo um pouco sonhador e idealista demais?
Que está procurando o impossível no seu mar de letras?
Que anseia alguma reviravolta?
Mesmo sabendo que ela não irá acontecer?
Que nada fez sentido, nada adiantou, e você precisa ler este texto mais de uma vez para tentar cair na real?
Não entendeu que este que vos escreve é você mesmo?
Que estou gritando pra você acordar enquanto você insiste em continuar dormindo?
Que eu quero o seu bem acima de tudo, que eu quero que você se queira bem?
Que eu quero que você pare com toda esta baboseira?
Que eu quero que você aproveite a sua vida à sua maneira?
Que eu não quero que você desperdice as chances que tem hoje em dia?
Que há várias oportunidades de fazer diferente?
Que há amor nestas pessoas que querem se relacionar com você?
O que você precisa para parar com isto?
Se deitar novamente com alguma delas?
Sentir aquela boa sensação de não ser rejeitado?
O que você precisa?
Quando você precisa?
Não percebe que é jovem?
Que há muito pela frente?
Que sua necessidade de amar e ser amado será suprida ao acaso?
Que não vai mais ser confundido devido às suas experiências anteriores?
Por que deseja tudo isto logo agora?
Não consegue esperar?


Quando, Luís Paulo, você vai perceber que reclama de barriga cheia?
Me diga quando, Traíra, você vai continuar sendo o cara sensível e que sempre se dá mal?
Até quando vai continuar se afirmando que precisa ser mais do que isso mas não sai do lugar?

Até quando vai continuar sendo refém da sua própria auto-insuficiência?

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A sage once said...

"How shall I open my heart, oh friend? It is forbidden for me to speak. I am about to die for lack of a kindred soul to understand my misery. Simply by looking in her eyes I find the beloved of my heart. But rare is such a soul who swims in ecstatic bliss on the high tide of heavenly love."

Aquele meu desleixado quarto

Se jogar à deriva, pensar e voar
Liberdade para sentir e apavorar-se
Tomar para si a diferença entre cada pulsação
Ser para si mesmo a impulsão do crescimento
Apertar cada mão com olhar sereno
Espalhando sua falsa confiança através do tato
Até que se realize a ausência da insegurança
Num infinito processo automatizado pela consciência

O sal nas narinas e o som a ecoar pela baía
Vozes alegres e embriagadas, entranhadas à vibração de seis cordas
Majestosamente iluminam a escuridão que a luz da lua recusara chegar
Pois o Sol já se encontrava ofegante após curar tanto mau-humor
E sem sua brilhante liderança, corações se enegrecem e minha gente entristece
Confusas diante das bifurcações com cem estradas,
Concentradas,
À procura do caminho mais curto para a alegre desilusão verdadeira

Sob um poste de luz, em algum quintal de terra
Dentro daquele meu desleixado quarto
Sentir-se realizado por um breve momento
Negar a repetição dos acontecimentos
Sem vigiar seus próprios pensamentos
Desejo que se transforma em rejeição
Incluindo-se fora de todas as expectativas futuras
Assustando e afastando o presente
De volta para o passado em que sempre viveu

Se volta para sua própria insuficiência
Esquece toda sua bondade
Transforma-a em egoísmo
Esbraveja com o fantasma do mundo
Mesmo que sua vida tenha o colocado nos dois papéis
O de amado
E o de simples amador

Mas
Se você seguir teu caminho e eu o meu
Continuaremos inúteis contra o tempo
Pois qualquer cão nas ruas sabe
Que todos já fomos apaixonados pelo impossível
Todo jogador, na verdade, sabe que está ali para perder
Ou uma amizade ou algumas boas memórias
Daquele dia frio
Da mais linda forma de timidez
Do sentimento mais verdadeiro
Da conquista que nasceu por um elogioso comentário
E morreu com descaso
Naquele quintal de terra
Naquele meu desleixado quarto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

I'll see you soon



So you lost your trust
And you never should have
You never should have

But don't break your back
If you ever see this
But don't answer that

In a bullet-proof vest
With the windows all closed
I'll be doing my best
I'll see you soon
In a telescope lens
And when all you want is friends
I'll see you soon

So they came for you
They came snapping at your heels
They come snapping at your heels

But don't break your back
If you ever say this
But don't answer that

In a bullet-proof vest
With the windows all closed
I'll be doing my best
I'll see you soon
In a telescope lens
And when all you want is friends
I'll see you soon
I'll see you soon

I know you lost your trust
I know you lost your trust
I know don't lose your trust
I know you lost your trust